| É, quase isso... |
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sexta-feira, setembro 17, 2004 Ato Institucional nº 5S Alguns expedientes utilizados para otimizar os processos de uma empresa são bem curiosos, pois as pessoas ficam obcecadas por eles. Aqui no escritório tem um mural. Meu time ganhou o grenal de ontem, e não podemos colocar no mural uma pequena bandeira do colorado. O mural está ali, e tem espaço vazio nele. Nós estamos aqui, com a bandeira, e não podemos colocá-la no mural. Não por causa dos gremistas, aqui quem perde tem que ficar quieto. Mas por causa do sistema 5S. Esse sistema diz que os espaços no mural são reservados para determinados assuntos. Eu perco mais tempo adaptando-me ao 5S do que com qualquer outra coisa. Ontem disseram que os avaliadores do 5S podem vir nessa semana, aí os olhos do pessoal da alta hierarquia brilharam. Opa! Vamos arrumar essa mesa aí. E essa gaveta? O que tem aí dentro? Ah, salgadinhos? Pois vamos colocar aí uma etiqueta: "SALGADINHOS". No rádio a gente vai colocar uma etiqueta escrito "RÁDIO". Imagina se vem um desavisado e olha pra aquele aparato estranho com uma antena em cima. O que vão pensar que é aquilo? Precisamos etiquetar já! E pra me adiantar, vou colar uma etiqueta com meu nome na minha testa. O que me chama a atenção é que o mais importante não é o quanto o trabalho vai melhorar. O importante é estar com o 5S em dia. Não posso ter duas canetas azuis no meu porta-caneta se o colega ali do lado não tem nenhuma. Não interessa se no tempo que a gente levou para "se adaptar ao sistema" a gente poderia ter matado aquele relatório. Afinal o sistema é pra otimizar, não é? Pois estamos otimizando a burocracia. Estamos otimizando o formalismo e a paciência. Estamos otimizando nossa capacidade de trabalhar nos métodos que nos são impostos, e não nos mais ágeis. E não vamos poder colocar a bandeira do colorado. Isso me cheira a ditadura. Daqui a pouco vão chamar o DIP - Departamento de Investigação dos Processos. Vão seqüestrar e torturar os dissidentes. Quando eu tiver a minha própria empresa as pessoas vão poder colocar o que quiserem no mural. Desde mulher pelada até o horário do próximo futebol. Na minha empresa vai ter apenas uma regra: faça o que tiver que ser feito, bem feito e no tempo em que deve ser feito. O resto é lucro. Claro, sendo muito simplista. Mas a essência é essa. Alguém quer trabalhar comigo? Fábio | 11:15 | Fala que eu te escuto: quarta-feira, setembro 08, 2004 momento de reflexão Tanta coisa terrível acontecendo no mundo, tanta guerra, terror, ódio. Tanta competitividade, malandragem, necessidade de se levar vantagem. A gente fala em guerra e terror, e logo pensa em estados unidos, presidente bush, osama bin laden, viúvas negras. Infelizmente não é só lá que existe isso. É também aqui, no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro. Em nosso escritório, nosso prédio, nosso trânsito, nossas mentes. E na televisão, claro. Televisão, rádio, jornal, internet. Ô mídia maldita. Não sei como tenho vontade de trabalhar com ela. Será o infantil sonho de querer mudar as coisas? Mas será que dá pra mudar a mídia? Ou teríamos que antes mudar a mentalidade das pessoas? O que vem primeiro? A mídia é assim por que a sociedade quer ou a sociedade tem atrofiadas as suas idéias por que assim é o interesse da mídia? Tem muito ponto de interrogação nesse texto. Comecei falando do terror e fui parar nos meios de comunicação. Vamos tomar outro rumo. Hoje em dia percebo que as pessoas mais livres de malícia, e me refiro àquela malandragem sobre a qual estava falando ali em cima, são taxadas de idiotas. Idiotas, ingênuas, bobinhas. Como costumam dizer por aí, o mundo é dos espertos. Mas a felicidade é dos idiotas. Entendeu, seu idiota? O momento de reflexão acabou virando o momento mais nonsense da história contemporânea dos weblogs. Fábio | 14:30 | Fala que eu te escuto: quarta-feira, setembro 01, 2004 a desorganização das organizações E aqui estou eu escrevendo, na clandestinidade. Sinto-me como a parte consciente da sociedade brasileira após o golpe de 64. Como disse Chico, hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão. Quem lê essas palavras é privilegiado, é livre do cárcere que tenta privar das idéias, que tenta, assim como os militares cegos de quarenta anos atrás, abafar o intelecto em prol da vã produtividade. Veja bem: tenta. Estou, na verdade, escrevendo uma mensagem para colocar numa garrafa e atirá-la à aleatoriedade das correntes oceânicas. Pra quem não está entendendo nada, aqui na EMPRESA cortaram o acesso a "determinados" sites e softwares. Eu escrevo para o blogue mas não posso ler o blogue. A ironia só não é mais tragicômica do que os meios empregados e as justificativas alegadas acerca do fato. Nos laboratórios de informática da faculdade, não se é possível acessar nenhuma página com domínio .blogspot ou .blogger, por exemplo. Aqui a coisa é diferente. Elegeram alguns endereços para bloquear, e outros saíram ilesos. O funcionamento interno das instruções binárias de um microprocessador é mais fácil de ser compreendido do que os critérios adotados para a medida aqui tomada. Enquanto as amarras em meus pulsos proibem-me de acompanhar os comentários feitos neste humilde espaço, coisa que acontecia em doses homeopáticas, o site O fuxico está liberado, de modo que a pessoa que trabalha próximo a mim é capaz de saber que o Ronaldinho almoçou em um badalado restaurante com a namorada famosérrima, e minutos depois descobrir que o protagonista da novela das oito vai prestigiar o show de Jéssica Marina (??). Concordo que nesse caso é identificado o clássico problema das minorias prejudicarem a maioria, mas dado o tamanho do universo em questão, acabou-se usando um canhão para matar uma mosca. Com o tiro saindo pela culatra, óbvio. Aos amigos do orkut, aviso de antemão que estarei longe das discussões entre as comunidades e da troca de mensagens, assim como o conteúdo deste weblog vai escassear mais ainda, como se isso fosse possível. As circunstâncias parecem convergir para o estabelecimento do acesso residencial à web, porém os aspectos financeiros ainda falam mais alto. Sem problemas, afinal já estou me acostumando com a política segundo a qual quem fala mais alto, ganha. E você vai se amargar, vendo o dia raiar sem lhe pedir licença. E eu vou morrer de rir, que esse dia há de vir antes do que você pensa. Fábio | 10:00 | Fala que eu te escuto: |
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